20040508(tentando ler-ler-ler) rubem fonseca - "feliz ano novo" [anna.methusela]:1:00 PM20040507o sono visitando um dia frio a passagem dos minutos crescendo dentro de si mesmos guardar pessoas em bolsos ignorar outros possíveis fatos desculpas a todos os ventos não sentidos dentro do esconderijo saia do quarto onde tudo deu errado mesmo que por um único minuto multiplico as glândulas num leve e muito novo sábado se for só hoje que seja em resposta a anos de pedidos urgentes p.s.: em breve pretendo parar de escrever sentimentalismos para me dedicar à dança do ventre (haha argh) [anna.methusela]:6:39 PMtoda voz será só ouvidos pra imagem que não sai dos dedos . [anna.methusela]:6:13 PM"psycopathologia sexualis" -histórias de caso(x, 10 anos, crânio deformado e tendência à masturbação...), livro preto, retratos patéticos de perversões, visão humorística de um psiquiatra americano do século XIX, necrofilia, satiríase, sadismo, ohh. "os grandes verões da leitoa branca", jamil snege -contos fantásticos-mórbidos, imagens ternas com objetos inesperados, capa esquisita e tudo. [anna.methusela]:6:05 PM20040505desgaste emocional se aproxima em velocidade de espirro aquela preguiça volta que as coisas sejam mais simples ou que simplesmente [odiando horários, advérbios e gerúndios] se calem virem adubo para as bromélias e estas lar para a dengue [uma torneira de sangue] um outro nome a não ser "coisas" mas as coisas são sempre coisas todas já foram ditas antes isso acontece mensalmente só o narrador-observador-paranóico continua sendo bem orgânico andando por ruas molhadas carregando seu grande saco de vísceras [à distância de um dedo] assistindo o dia com nervos frouxos querendo rasgar o envelope ser só alma um dia chega a hora das coisas em metamorfose virarem outras num casulo pequeno umas cinco ou seis moscas p.s.: "moscas" da dengue, u-hum. [anna.methusela]:3:11 PMou o pavor de ser definida em poucas linhas de quase-horóscopo: os melancólicos nos sugerem as pessoas que ao contemplarem um bordado maravilhoso ficam olhando para o avesso. a saudade tão cantada pelos poetas floresce de preferência em seu coração. casimiro de abreu, gonçalves dias (...) registraram em seus livros um profundo sentimento de saudade e melancolia sem resposta. o melancólico foge do mundo, da sociedade, dos clubes, para recolher-se na sua sala de trabalho. não se adapta a grupos. de imaginação fértil e poderosa (!), o melancólico não gosta de navegar na superfície. prefere os submarinos. kletschmer (?) o situa entre os esquizóides (isolado, esquisito) e com muita razão, porque o melancólico vive tão ensimesmado, que, mesmo em meio à multidão, sempre está só. se fosse fazer um passeio em um campo em que o céu azul emoldurasse o silêncio, pássaros cortassem a paisagem verde (!), o melancólico seria capaz de não perceber a euforia da luz e o encanto das circunstâncias. ficaria no seu mundo interior, com suas dúvidas, angústias e escrúpulos, com suas tristezas e vivências afetivas e seu sentimentalismo sem válvula de escape. (germano de novais, num livro de capa azul do tipo "fernão capelo gaivota") vou fundar um "social-clube melancólico". [anna.methusela]:2:48 PM20040502aqui vão algumas coisinhas, ó. na verdade ao entardecer até a tarde dói até tarde do ser solitário a sala o disco chega ao fim só o barulho do garfo contra o prato ritmado como este algo contra o peito (luci collin) deus, os biscoitos são tão apetitosos eu choro quando penso em comê-los (mário bortolotto, num poema bem maior que isso) miss tempestade não tem tempo o cinza avança sobre o azul hieróglifos elétricos riscam o céu escreva, miss tempestade que esse dia branco é seu despenque sobre esse vazio preencha o silêncio de deus # escreva, miss tempestade não contemporize a sua intensidade (ricardo corona, miss tempestade) sentir, eu sei, tem seu preço dores prazeres amores nunca erram meu endereço a vida me quer sentindo à flor da pele desde o começo sentir, eu sentirei até o fim nascem flores com o tempo flores no vaso é com vocês eu vou regar um jardim (o mesmo ricardo, nascem flores com o tempo) adeus alto de edifícios, analgésicos, todas as músicas. desse lado de alívio não há necessidade. não mais morrer para matar a sede de céu de meus olhos. adeus filmes que não vi, o mundo da lua, o que possa ser vício. desse lado não é preciso esquecer de mim. sem sentido o silêncio quanto os pássaros são grávidos de azul. adeus guarda-chuvas, o dia-a-dia, tudo que pensei que sei. desse lado despreocupa-se em sentir protegido. sem importância os telhados quando a chuva de estrelas. numa esquina qualquer um sonho me espera. e não admite bagagens. ele tem no bolso uma passagem em meu nome, com a volta já antecipadamente marcada para nunca mais. (fernando koproski) [anna.methusela]:5:15 PMdécio pignatari - "o rosto da memória" [anna.methusela]:4:44 PM |